Um teatro que parece ter sido feito para a cidade andar até ele

Tem lugares em Santiago que você visita e entende rápido. Um mirante, um museu, uma rua famosa. Você chega, olha, tira foto, vai embora. O Teatro NESCAFÉ de las Artes é diferente. Ele tem aquele tipo de presença que só se revela quando você pensa no que existia ali antes, no que quase se perdeu, e no que virou depois. Um teatro que não nasceu do zero, nasceu de um resgate. Um prédio que passou por décadas de vida cultural, ficou deteriorado, quase virou só mais um imóvel com placa de aluguel, e voltou com força, como se alguém tivesse dito: não, aqui ainda dá para acontecer coisa grande.

Vou escolher um ângulo para guiar a conversa: a história dele como um caso raro de recuperação patrimonial que virou experiência urbana, daquelas que mudam o jeito como um bairro se comporta à noite. E, sim, no meio disso eu vou escapar um pouco para falar de programação, de público, de detalhes práticos… porque a graça de um teatro assim é justamente que ele mistura camadas.

Um edifício que já sonhava com plateia antes de existir

O endereço é bem direto, quase minimalista: Manuel Montt 032, Providencia, Santiago.
Hoje você chega e encontra um teatro ativo, com bilheteria, agenda, gente entrando, gente saindo, aquele burburinho bom. Só que, se você volta no tempo, essa esquina tem um começo quase cinematográfico.

Segundo a própria história oficial do teatro, quem imaginou o prédio foi Humberto Ghivarello Motto, um imigrante italiano que, em 1943, encomendou os planos ao arquiteto Leonello Bottacci Borgheresi para construir um edifício de três pisos na esquina de Manuel Montt com Providencia. A ideia ganhou um espaço que viraria uma sala moderna para espetáculos e cinema internacional, como era tendência da época. A construção começou em 1945 e, em 16 de março de 1949, abriu como Teatro Marconi.

Repara como isso já diz muito: não era apenas um prédio com palco. Era um projeto de cidade, um lugar pensado para reunir gente, para exibir mundo, para trazer repertório de fora e, com o tempo, virar referência do que se produzia dentro.

A Wikipedia ajuda a completar o mapa dos nomes e fases: Marconi, depois Providencia, e finalmente o nome atual. Ela também traz um dado que costuma aparecer em conversas de quem gosta de teatro: capacidade para 983 pessoas, sendo 979 assentos e 4 espaços para cadeiras de rodas.

O momento em que o teatro quase desapareceu

Tem um tipo de tristeza urbana que muita gente reconhece: você passa na frente de um prédio que já foi importante e vê uma grade fechada, uma estrutura cansada, um cartaz qualquer, a sensação de que a cidade decidiu esquecer. E foi mais ou menos isso que aconteceu por ali.

A história oficial conta que, em 2008, o escritor Antonio Skármeta queria levar ao palco a obra El Plebiscito e o produtor Alfredo Saint-Jean buscava um espaço para realizar a montagem. O plano original era apresentar no Teatro Nacional Antonio Varas, mas, com falta de disponibilidade, a busca por um novo lugar levou Saint-Jean de volta à Manuel Montt. O que ele encontrou no antigo Marconi foi uma reja fechada, o lugar deteriorado e um cartaz dizendo que estava para alugar.

É um daqueles pontos de virada que parecem pequenos quando você lê, mas mudam a vida cultural de uma cidade. A prioridade virou outra: não era só montar uma peça. Era tentar ressuscitar um espaço.

Um patrocínio que virou parte da identidade

Aqui entra a parte que costuma surpreender quem associa patrocínio a algo frio, distante. O Teatro NESCAFÉ de las Artes não tem o nome da marca como enfeite. A narrativa de fundação dele é, assumidamente, uma história de aliança.

A ideia foi transformar o antigo Marconi em um teatro moderno, com equipamento de primeiro nível, capaz de receber espetáculos nacionais e internacionais. Para isso, Saint-Jean e seus parceiros estruturaram a gestão privada do projeto e buscaram o apoio de uma marca que já tivesse tradição cultural no Chile. Chegaram à NESCAFÉ, e a parceria se consolidou depois da apresentação do projeto e de meses de trabalho, formando o que o próprio teatro chama de uma aliança virtuosa, sem precedentes no país, e que perdura por anos.

Esse detalhe importa por um motivo simples: ele ajuda a explicar por que o teatro tem uma postura tão ativa de programação. Teatros que dependem do ritmo de editais e temporadas públicas costumam ter outra dinâmica. Aqui, o modelo se comporta como um organismo que precisa estar vivo o tempo todo.

Um retrato desse ritmo aparece também em uma página da Ticketmaster Chile que descreve o local: mais de 85 eventos e cerca de 250 funções por ano, atraindo quase 220 mil espectadores.
Esses números, quando você coloca na cabeça, mudam a percepção. Não é um espaço que abre ocasionalmente. É um lugar que, na prática, ajuda a manter o bairro acordado. E bairros com teatro costumam ser mais felizes.

Um teatro que funciona como bairro dentro do bairro

A própria página de localização do teatro descreve Providencia como um polo turístico e gastronômico, citando restaurantes conhecidos como Liguria e Normandie, entre outros.
Isso combina demais com a experiência real de ir ao Teatro NESCAFÉ de las Artes. Ele não é uma ilha. Ele fica numa região que convida a chegar mais cedo, caminhar um pouco, comer algo, e depois entrar. O teatro vira um ponto de encontro, quase como se fosse um relógio marcando o início da noite cultural.

E tem um efeito curioso nisso: um teatro assim não organiza só o público dele, organiza o entorno. Você começa a perceber que certos horários de metrô, certos movimentos na calçada, certas filas discretas, tudo tem a ver com o que vai acontecer ali dentro.

Dados práticos, do jeito que a gente usa de verdade

Uma boa parte do encanto de um teatro é emocional, mas todo mundo que já perdeu o horário de entrar sabe que o mundo real também conta. Então, para deixar isso redondo, segue uma tabela simples, sem complicar:

O que você precisa saber Informação
Endereço Manuel Montt 032, Providencia, Santiago
Origem do prédio Teatro Marconi, inaugurado em 16 de março de 1949
Reinauguração com o nome atual 6 de agosto de 2009
Capacidade 983 pessoas (979 assentos + 4 espaços para cadeiras de rodas)
Venda oficial online Ticketmaster Chile
Bilheteria presencial Há horários regulares e horários especiais divulgados pelo teatro

E uma observação que parece pequena, mas poupa dor de cabeça: o teatro deixa claro que não faz reserva de entradas e reforça que os meios oficiais são Ticketmaster e a bilheteria.
Quem já comprou ingresso em cidade turística entende o motivo desse aviso.

Programação com cara de cardápio bem montado

Quando o teatro fala dos seus pilares, ele usa três palavras que soam quase como lema: paixão, criação e movimento. A partir disso, descreve uma programação que abarca diferentes expressões das artes cênicas e também transmissões de grandes produções internacionais, como apresentações vindas do Metropolitan Opera House de Nova York e do National Theatre de Londres.

Esse ponto é delicioso porque ele muda o que significa morar em Santiago, ou visitar Santiago, e ter uma noite livre. Você não está preso apenas ao que está em cartaz localmente. De repente, você pode sentar numa sala chilena e ver uma ópera em transmissão de altíssimo padrão, como se a cidade tivesse uma janela direta para o circuito global.

Só que ele não se apoia nisso para parecer sofisticado. Ele equilibra com o que é feito dentro de casa.

A casa que cria, não só recebe

Um teatro pode ser só palco de passagem. O NESCAFÉ de las Artes faz questão de ser também um lugar de produção e formação.

Ele tem sua própria companhia de dança, o Ballet Teatro NESCAFÉ de las Artes, dirigido por Sara Nieto, fundada em 2012 e com repertório que inclui clássicos como O Quebra Nozes e Coppelia, além de apresentações em outros cenários do país.
Isso muda o tipo de vínculo com o público. Ballet não é só atração, vira continuidade. Vira gente que acompanha, que compara, que volta.

Mais recentemente, o teatro descreve a Residência Artística conduzida por Felipe Molina desde 2023, com a proposta de montar obras emblemáticas, nacionais e estrangeiras, que ficaram anos sem ser apresentadas.
Aqui tem um detalhe menos óbvio, mas importante: resgatar repertório não é nostalgia, é curadoria. É dizer que a memória cultural ainda tem utilidade, ainda conversa com o agora.

E tem também a Matiné de las Artes, um programa com espetáculos didáticos voltado para crianças, adolescentes e público escolar, com a intenção de formar novas audiências.
Isso parece fofo, e é, mas é também estratégico. Um teatro que pensa em crianças pensa no futuro da própria existência.

Em algum ponto, tudo isso se conecta com aquela ideia inicial do resgate do prédio. Não bastava recuperar paredes e poltronas. Era preciso recuperar a razão do lugar existir. E razão, em artes, costuma ser gente.

Comunidade como parte do palco

Tem teatros que chamam o público de público e pronto. O NESCAFÉ de las Artes fala em comunidade. Ele criou a Comunidad de las Artes para fortalecer a fidelização e reunir pessoas que compartilham o interesse por espetáculos ao vivo, e menciona que ela conta com mais de 100 mil sócios ativos.

Esse número é grande, mas o que ele revela é mais interessante do que a escala. Ele revela uma ideia: frequentar teatro pode ser hábito, não evento raro. Pode ser vida social, não exceção.

Você percebe como esse teatro não se comporta como um monumento. Ele se comporta como um lugar de rotina cultural.

Reconhecimento, prêmios e o valor de fazer dar certo

Um texto bonito sobre teatro fica incompleto se não falar de reconhecimento, porque um espaço cultural não vive só de aplauso no fim do espetáculo. Ele vive de legitimidade pública, de credibilidade, de ser visto como algo que vale a pena manter.

A história oficial do teatro menciona um reconhecimento em 2017, associado ao Ministério das Culturas, às Artes e ao Patrimônio do Chile e à CPC em companhia da UNESCO, destacando o trabalho de resgate patrimonial e o aporte constante à cultura desde a inauguração em agosto de 2009.
Menciona também que a Academia Chilena de Bellas Artes concedeu o Prêmio Agustín Siré por trajetória e diversidade na programação.
E ainda cita que, em julho de 2025, a SCD entregou um prêmio ligado ao fomento e desenvolvimento da música chilena aos fundadores, reconhecendo o trabalho de gestão e o papel do espaço na carreira de muitos músicos chilenos.

Tudo isso pode soar institucional, eu sei. Só que, se você traduz para a linguagem do dia a dia, significa uma coisa bem simples: o teatro virou referência porque conseguiu sustentar qualidade com constância. Muita gente consegue fazer uma temporada boa. Pouca gente consegue fazer disso um sistema.

Por que esse teatro prende a atenção de quem nem se considera “pessoa de teatro”

Agora eu volto ao ponto que, para mim, é o mais humano dessa história.

O Teatro NESCAFÉ de las Artes não é fascinante apenas porque tem programação boa ou porque o prédio é antigo. Ele é fascinante porque mostra que uma cidade pode mudar de ideia sobre um lugar. Um espaço pode estar abandonado, cansado, quase invisível, e depois virar um centro pulsante. Isso dá uma esperança meio teimosa, do tipo que a gente nem sabia que estava precisando.

Você entra numa sala dessas e percebe que a experiência não começa no palco. Ela começa quando você atravessa a rua e vê outras pessoas indo para o mesmo lugar, cada uma com seu motivo. Uma família levando adolescentes para ver algo pela primeira vez. Um casal que janta ali perto e transforma a noite em ritual. Uma pessoa sozinha que só queria ouvir música ao vivo e acabou encontrando um teatro inteiro como companhia.

E, no fim, é isso que faz o NESCAFÉ de las Artes ser mais do que um endereço em Providencia. Ele não é apenas um teatro onde acontecem espetáculos. Ele é um lugar onde a cidade se encontra, se reconhece e, de vez em quando, se surpreende com ela mesma.

Se você quiser, eu posso escrever um segundo texto com outro foco, mais turístico e sensorial, quase como um roteiro de noite perfeita em Providencia começando no entorno do teatro e terminando na última salva de palmas.

Principais violonistas e guitarristas que já se apresentaram no Teatro

Yamandu Costa

Yamandu Schmidt Costa, nascido em 24 de janeiro de 1980, em Passo Fundo (RS), é hoje considerado um dos maiores violonistas brasileiros, com domínio excepcional do violão de sete cordas. Desde muito jovem, integrou-se à elite instrumental brasileira, mesclando gêneros como choro, samba, milonga, tango e jazz. Sua abordagem improvisacional sem partituras e o virtuosismo técnico conquistaram fãs de diversas gerações.

Em 29 de outubro de 2010, Yamandu aportou em Santiago com sua turnê “Ruta Instrumental Mercosur”. No Teatro Nescafé de las Artes, apresentou-se acompanhado por PianOrquestra, com participações especiais do percussionista Roberto Silva e da cantora chilena Francesca Ancarola. O concerto uniu clássicos e ritmos populares brasileiros, em uma performance empolgante que encantou o público local. O palco foi invadido por sons densos, harmonias sofisticadas e uma energia quase palpável, exaltando o violão de sete cordas como estrela central.

Yamandu foi uma das maiores inspirações do criador do portal Descomplicando a Música. Se você quer aprender a tocar violão, a melhor abordagem é seguir esse estilo Yamandu de concentrar-se no instrumento e usar o ouvido em vez de se preocupar com partituras ou teorias logo no início.


Vicente Amigo

Nascido em Guadalcanal (Sevilha) em 1967 e criado em Córdoba, Vicente Amigo é reverenciado no mundo do flamenco como guitarrista incomparável, combinando profundidade melódica com paixão rítmica. Formado em grande parte por Manolo Sanlúcar, ele coleciona prêmios como o Ramón Montoya e discos marcantes, como Poeta (1997), Tierra (2013) e Memoria de los Sentidos (2017).

Em 11 e 12 de outubro de 2011, dois shows do ciclo “Pasión Flamenca” iluminaram o palco do Teatro Nescafé. Com repertório que transitou do flamenco puro às nuances jazzísticas e pop – especialmente do álbum lançado com colaborações como Alejandro Sanz – Vicente possibilitou ao público sentir a tradição viva do flamenco. Ele disse na época: “El flamenco es una forma de sentir la vida”. A atmosfera foi vibrante e emotiva, com o teatro lotado e ovacionando sua técnica e sensibilidade únicas.


Steve Hackett

Ex-guitarrista do Genesis, Steve Hackett consolidou-se como ícone do rock progressivo. Com carreira solo notória, em 15 de março de 2015 trouxe sua turnê Genesis Extended ao Nescafé de las Artes. O setlist incluiu clássicos como “Dance on a Volcano”, “Squonk” e medleys épicos, bem como improvisações acústicas, transformando o show num mergulho na tradição prog-rock.

Voltou ao teatro em 6 de março de 2018 com a turnê “Genesis Revisited / Solo Gems”. Em um espetáculo revisitado, contou com apoio instrumental sólido e vozes marcantes como Nad Sylvan, recriando antigos sucessos e suas obras solo com precisão e nostalgia . Críticas locais falaram de uma “visita ilustre” ao rock progressivo santiaguino.


John Scofield

Guitarrista estadunidense com sólido histórico no jazz, John Scofield se destaca por sua fusão de estilos, improvisação criativa e assinatura sonora única. Ao longo da sua carreira, colecionou discos marcantes e figurou entre os grandes nomes do gênero. Para tocar suas músicas ou entender suas técnicas, você precisa estudar muito os modos gregos, que são parte fundamental da musicalidade de John Scofield.

Em 10 de junho de 2019, John chegou ao Nescafé de las Artes com o Combo 66 Quartet, integrando Gerald Clayton (piano), Vicente Archer (baixo) e Bill Stewart (bateria). O concerto, parte do ciclo “Santiago Fusión”, teve início às 20h30, alternando temas como “Still Warm” e “Woody ’n You”, e apresentou uma performance elegante, técnica e vibrante do quarteto. Fotos divulgadas mostraram ambiente elegante e público envolvido. Esse vídeo abaixo mostra como foi:


Pat Metheny

Pat Metheny, nascido em 12 de agosto de 1954 (Lee’s Summit, Missouri), é um dos mais premiados guitarristas de jazz da atualidade com mais de 20 Grammys. Com estilo que mistura jazz moderno com folk, rock emúsica latina, ele revolucionou a música instrumental desde os anos 70.

Agendado para 4, 5 e 6 de setembro de 2025 no Teatro Nescafé de las Artes, Metheny apresentará sua turnê “MoonDial / Dream Box Tour”. O repertório combina faixas dos álbuns de 2023 e 2024, com Metheny exibindo virtuosismo solo, tocando diversas guitarras e instrumentos em shows intimistas e premiados – já comprovado em tours anteriores (incluindo duas sessões esgotadas no Caupolicán em 2022)


Esses são os principais músicos de cordas (violão e guitarra) que, até julho de 2025, se apresentaram no Teatro Nescafé de las Artes em Santiago. Novas atrações virão em breve.

Teatros aceitam criptomoedas no Chile?

teatro chileno agora aceita criptos

No cenário cultural chileno a tradição e a inovação constantemente conversam. Há dois teatros que se destacaram recentemente por explorar um campo ainda pouco convencional: aceitar criptomoedas como forma de pagamento. Sim. Esses teatros são o Teatro CorpArtes, localizado no moderno bairro de Las Condes, em Santiago, e o histórico Teatro Municipal de Santiago.

Teatro Municipal de Santiago

Em abril de 2018, o Teatro Municipal de Santiago protagonizou um feito pioneiro ao vender ingressos para um concerto especial da banda chilena Electrodomésticos utilizando Bitcoin. Uma quantidade limitada de bilhetes foi oferecida exclusivamente através de pagamento em criptomoeda via QR-code.

O mecanismo era simples e direto, os espectadores escaneavam o código com sua carteira digital, realizavam o pagamento e recebiam o ingresso digital imediatamente. Para os aficcionados da tecnologia e defensores das criptos, foi um momento emblemático, marcando uma possível abertura das instituições culturais tradicionais ao novo paradigma.

Mas apesar do sucesso pontual, o Teatro Municipal não prosseguiu com a iniciativa. A bilheteria retornou à sua operação tradicional, exclusivamente com pesos chilenos e meios tradicionais como cartões e dinheiro físico. O experimento evidenciou uma clara intenção inovadora, mas também revelou entraves consideráveis para a continuidade dessa política. Infelizmente.

Os aficcionados por cripto então ainda precisam recorrer à Binance (muito usada no Chile), onde a criação de conta Binance é mais fácil do que em lugares mais burocráticos como a Europa.

Teatro CorpArtes

Já o Teatro CorpArtes, conhecido pela sua arquitetura contemporânea e por sediar eventos culturais diversificados, realizou uma experiência mais recente, em março de 2024, durante o evento CriptoSummit 2024. Neste caso, foi a organização do evento, e não o teatro em si, que ofereceu aos participantes a opção de pagamento com criptomoedas, integrando diversas moedas digitais através de plataformas próprias.

Embora tenha sido uma iniciativa pontual, revelou como eventos privados hospedados por teatros podem servir como porta de entrada para testar o modelo de pagamentos em criptomoedas sem expor diretamente a instituição aos riscos e desafios associados ao seu uso regular.

Principais Barreiras para a Adoção em Massa

Por que então, mesmo diante de experimentos aparentemente bem-sucedidos, as criptomoedas ainda não são amplamente aceitas pelos teatros no Chile? As respostas são múltiplas e complexas, abrangendo desde questões operacionais até financeiras e regulatórias.

Primeio há o problema da volatilidade das criptomoedas. Teatros e instituições culturais têm orçamentos apertados e previsões financeiras rígidas. A oscilação extrema nos preços das criptomoedas poderia gerar grandes dificuldades financeiras e problemas de contabilidade. Para uma entidade pública ou fundação, a transparência financeira é crítica, e a contabilidade dessas moedas digitais ainda representa um desafio significativo.

Outro obstáculo importante é a infraestrutura técnica necessária. Implementar pagamentos em criptomoedas envolve custos adicionais com gateways e processamento, além de treinamento específico para funcionários da bilheteria e da administração financeira do teatro. Processadores de criptomoedas como BitPay cobram taxas e oferecem interfaces muitas vezes vistas como complexas ou pouco práticas para o administrador do teatro.

E questões legais e regulatórias também pesam. No Chile, a Lei Fintech (Lei 21.521), em vigor desde 2024, esclarece que criptomoedas não são consideradas moeda legal. Isso implica em tratamento tributário complexo e maior rigor contábil, dificultando ainda mais a adoção generalizada nas bilheterias dos teatros.

Teatro Nescafé de las Artes

Outro espaço cultural relevante em Santiago, o Teatro Nescafé de las Artes, reconhecido pela programação variada e contemporânea, ainda não demonstrou interesse explícito em pagamentos com criptomoedas. Apesar disso, considerando o perfil moderno e experimental do teatro, há potencial para futuras iniciativas. Contudo, atualmente a instituição permanece focada nas formas tradicionais de pagamento.

Um Futuro Possível?

Apesar das barreiras evidentes, o uso de criptomoedas na cultura chilena ainda representa uma oportunidade intrigante. Para teatros, o caminho pode estar em parcerias estratégicas com eventos privados ou empresas fintech, proporcionando experiências pontuais sem exposição direta aos riscos.

Mas administradores de teatros precisam ficar cientes de que chilenos também gostam de investir em coisas ousadas como opções binárias na IQ Option e ativos parecidos. A pergunta que fica é: se existe demanda para ativos digitais das mais diversas naturezas, não haveria público extra para os teatros se estes adotassem essas novas tendências?

Outro caminho viável são as plataformas intermediárias, como as que oferecem gift-cards de ingressos que podem ser comprados com criptomoedas. Essa opção permite que o público interessado utilize criptomoedas, enquanto o teatro recebe os valores em pesos chilenos, sem riscos de volatilidade.

Em resumo

A incursão dos teatros chilenos no mundo das criptomoedas ainda está em seus primeiros passos, caracterizada por experimentos pontuais que destacam tanto as possibilidades quanto os desafios dessa empreitada. O Teatro Municipal de Santiago e o Teatro CorpArtes já mostraram que há público interessado e uma viabilidade técnica inicial, mas as barreiras financeiras, operacionais e legais precisam ser superadas para que essa tendência se consolide como parte regular das transações culturais no Chile.

Os próximos anos vão mostrar se esses experimentos foram apenas momentos isolados ou se representam o início de uma transformação mais profunda no relacionamento entre cultura e tecnologia financeira no Chile.

Novas corretoras de derivativos fazem sucesso ao redor do mundo

A popularidade das opções binárias e derivativos em determinados países pode ser atribuída a uma combinação de fatores econômicos, regulatórios e culturais.

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Algumas razões que explicam por que essa modalidade de negociação ganha destaque em alguns países podem ser:

  • As opções binárias são conhecidas pela simplicidade. Não é necessário muito conhecimento técnico para começar, tornando-se uma porta de entrada para muitos novos investidores que não possuem experiência em mercados financeiros mais complexos.
  • Em muitos países, especialmente onde a regulamentação é fraca ou inexistente, as corretoras de opções binárias investem pesadamente em marketing. Elas muitas vezes promovem a negociação de opções binárias como uma maneira rápida de ganhar dinheiro, atraindo pessoas que buscam retornos rápidos, geralmente por meio de influencers. O efeito de rede também pode ser um fator preponderante, como ocorreu com a corretora quotex.
  • Em alguns países, a regulamentação financeira pode ser mais flexível, permitindo que corretoras de opções binárias operem com mais liberdade. Isso pode resultar em um crescimento mais rápido dessa indústria em determinadas regiões.
  • Em certos países, há uma predisposição cultural maior para investimentos e especulações de alto risco. Pessoas em tais culturas podem ser mais propensas a experimentar formas alternativas de investimento, como opções binárias.
  • Em economias com poucas oportunidades de investimento tradicional ou onde há uma falta de confiança nos sistemas financeiros locais, as pessoas podem buscar formas alternativas de investir ou aumentar seu dinheiro.
  • Em alguns lugares, há um foco crescente em educar o público sobre opções binárias. Seminários, webinars e cursos podem aumentar a conscientização e o entendimento, levando a um maior interesse.
  • Em países com rápido crescimento tecnológico e adoção de soluções digitais, plataformas de negociação online, incluindo aquelas para opções binárias, podem proliferar mais rapidamente.

No entanto, é crucial mencionar que, enquanto as opções binárias podem ser populares em certos países, elas também têm sido associadas a práticas questionáveis e fraudes. Em resposta a isso, muitos países e órgãos reguladores têm implementado restrições ou proibições completas na comercialização, distribuição ou venda de opções binárias a investidores de varejo.

Investidores potenciais devem sempre abordar a negociação de opções binárias com cautela, buscando educar-se adequadamente e garantir que estão lidando com corretoras regulamentadas e confiáveis.

Ok, falamos muito sobre essa modalidade de investimento, mas como ela funciona?

As opções binárias são instrumentos financeiros que permitem aos investidores apostar na movimentação de preços de um ativo subjacente, geralmente dentro de um curto período de tempo. Ao contrário das opções tradicionais, onde o pagamento é determinado pela diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado, as opções binárias têm um pagamento fixo. Aqui, exploraremos como as corretoras de derivativos que oferecem opções binárias funcionam e os mecanismos envolvidos.

Essa opção financeira pode ser vista como um investimento onde a recompensa é um valor fixo ou nada. Ou seja, há dois tipos possíveis de resultados:

Call (Compra): O investidor prevê que o preço do ativo subjacente será maior do que o preço atual no momento da expiração.
Put (Venda): O investidor prevê que o preço do ativo subjacente será menor do que o preço atual no momento da expiração.
Se a previsão do investidor for correta, ele receberá um pagamento fixo. Se estiver errada, ele perde o valor investido.

Como as Corretoras de Opções Binárias Operam?

Plataformas de Trading: As corretoras fornecem plataformas online onde os investidores podem negociar. Estas plataformas exibem preços em tempo real, gráficos e outras ferramentas analíticas.

Seleção de Ativos: A maioria das corretoras oferece uma ampla variedade de ativos subjacentes, como ações, índices, commodities e pares de moedas.

Expiração: As opções binárias têm um tempo de expiração, que pode variar de segundos a horas ou até mesmo semanas.

Pagamentos: O pagamento é determinado com base se a previsão é correta ou não. Este pagamento é geralmente expresso como uma porcentagem do investimento. Por exemplo, se uma opção oferece um pagamento de 75% e o investidor aposta $100, ele receberá $175 se sua previsão estiver correta.

Corretoras que oferecem Copy trading

Além da facilidade no entendimento desse tipo simplificado de operação, existem alternativas para quem não quer aprender a fazer trading por conta própria, como o copy trading. Essa modalidade consiste em replicar automaticamente tudo o que outra pessoa está fazendo. Ou seja, você fica ouvindo música e curtindo a vida enquanto alguém está operando e as mesmas operações estão sendo executadas em sua conta. A Etrade ficou popular com esse recurso, pois após realizar o etrade register você está pronto para seguir alguém.

Riscos e Considerações

Alto Risco: Dada a natureza “tudo ou nada” das opções binárias, elas são consideradas instrumentos de alto risco.

Regulação: Nem todas as corretoras são regulamentadas. Investir através de corretoras não regulamentadas aumenta o risco de fraude.

Gerenciamento de Dinheiro: É essencial adotar estratégias de gerenciamento de dinheiro para minimizar perdas.

Críticas às Opções Binárias

As opções binárias têm sido criticadas por alguns como sendo mais parecidas com jogos de azar do que com investimentos reais. Devido à simplicidade e ao curto prazo das transações, muitos argumentam que os traders dependem mais da sorte do que da análise.

Guitarristas americanos reconhecidos por shows incríveis – aprenda a tocar como eles

Se você quer aprender a tocar guitarra como um profissional, é importante conhecer os principais nomes da guitarra elétrica americana, aquela que podemos considerar como o berço do instrumento no mundo.

Jimi Hendrix

jimi hendrix

Se o assunto é guitarra americana, não há como não começar falando sobre Jimi Hendrix, um dos guitarristas mais famosos que já existiu. Jimi Hendrix foi um dos percursores da guitarra com distorção, dando início à febre do rock and roll. Apesar de não ter um desenvolvimento técnico tão apurado quando comparado aos guitarristas atuais, Hendrix se destacou muito em sua época por meio das técnicas de expressão como Bends, Vibratos e Ligados.

B. B. King

b b king

Outro guitarrista antigo que não se destacava tanto pela técnica, e sim pelo feeling e pela emoção dentro do estilo blues. B. B. King faleceu recentemente, em 2015, deixando saudades. Poucos músicos sabiam utilizar tão bem a escala pentatônica maior dentro do contexto blues como ele.

Slash

slash

O polêmico guitarrista do Gun’s and Roses marcou história com seus patterns melódicos. Utilizando técnicas de palhetada alternada misturada com bends e ligados, os solos de Slash ficaram reconhecidos como criativos e inovadores.

Eddie Van Halen

eddie van hallen

O que falar de Eddie Van Halen? Qualquer estudante de guitarra, em algum momento, já estudou as técnicas desse guitarrista, que foi um dos maiores desenvolvedores e utilizadores do tapping (two hands). A técnica de two hands até hoje é aclamada e atribuída a esse guitarrista, que marcou época ao utilizar ligados com a mão direita durante exibições e shows tocando a música Eruption.

Joe Satriani

joe satriani

Como estamos entrando no ramo dos guitarristas virtuosos, chegou a hora de falar de Joe Satriani, considerado por muitos como o melhor guitarrista do mundo. Satriani sempre se destacou em shows e turnês mundiais expondo sua precisão e seu virtuosismo. Esse é outro guitarrista que todo iniciante deveria estudar. Para treinar a técnica de hammer on e pull off (ligados executados com a mão esquerda), é excelente tocar alguns solos de Joe Satriani.

John Petrucci

petrucci

Petrucci ficou famoso ao fazer shows e gravar discos pela banda Dream Theater. Com solos avassaladores, Petrucci ganhou fama e reconhecimento como um dos guitarristas mais técnicos do mundo. Alguns brincam que ele toca arpejos na “velocidade da luz”, subindo e descendo escalas com palhetada alternada e palhetada híbrida como se fossem arpejos (uma nota por corda). Além da técnica e da velocidade, Petrucci possui uma acentuação rítmica muito aprimorada.

Paul Guilbert

paul guilbert

E para finalizar essa lista, não poderíamos deixar de fora o guitarrista Paul Guilbert, mestre consagrado da palhetada alternada. Paul Guilbert possui uma das palhetadas mais rápidas e precisas do mundo, sempre chamou a atenção de todos durante suas performances por inovar, tocando com furadeira e outros aparelhos, fazendo um culto à técnica e ao virtuosismo.

Como colocar tudo em prática?

Uma das melhores formas de se aprender a tocar guitarra, além de ouvir esses grandes nomes da guitarra elétrica americana, é fazer a chamada online guitar lessons, onde você pode aprender tudo o que precisa, passo a passo, para chegar em um nível profissional. Tocar guitarra é uma arte que exige dedicação e empenho, não basta você apenas ler revistas e tutoriais, é necessário seguir um cronograma de estudos, algo cuidadosamente preparado para atender seus objetivos musicais.

Preste bastante atenção ao utilizar a mão direita e a mão esquerda enquanto estiver tocando, pois cada mão precisará executar uma técnica e um ritmo específicos.

Não deixe de estudar teoria musical, pois é fundamental que você saiba encontrar a tonalidade de uma música, montar acordes, utilizar tríades e tétrades ao longo de sua trajetória. Não fique somente focado na prática, ouça músicos experientes e entenda o que eles estão fazendo musicalmente, harmonicamente e melodicamente.

Fonte: Simplifying Theory (Music Theory Lessons)

Artistas que irão se apresentar em 2017

Recentemente, o grupo lançou seu novo álbum, Berdreyminn, seu sexto álbum. Pouco antes, em abril, eles lançaram o EP Silfur-Refur, por isso é uma estação especialmente produtiva para o agrupamento, que com seus últimos trabalhos ganhou elogios dos meios especializados e do público, sendo qualificado como uma das bandas Mais original e surpreendente do circuito.

Da Argentina, o espetáculo “Cartas de Amor” move nosso país, um trabalho que traz de volta o ator Arturo Puig, após o sucesso alcançado em 2016 com a comédia “Nuestra Mujeres”.

A peça Letters of Love – estrelado por Puig junto com sua esposa, atriz Selva Alemán – conta a história de Melissa Gardner e Andrew Ladd, dois personagens que, por meio de sua correspondência, estiveram em contato há anos e em suas letras deixam-nos vislumbrar Sentimentos da vida. Testemunhos que revelam duas personalidades antagônicas que unem um rebelde e um homem estruturado e ambicioso. Uma peregrinação carinhosa de mais de 50 anos que foi catalogada como uma das melhores peças da segunda metade do século XX.

O grupo finlandês Apocalyptica, pioneiro na interpretação do metal tocado com Cellos, chega pela primeira vez a Santiago com sua performance incomparável e energética, como parte da turnê “Apocalyptica Plays Metallica“. Para quem aprecia um bom metal sinfônico, essa é uma excelente apresentação para acompanhar. A banda, que registra vendas recordes de mais de quatro milhões de álbuns, celebrará o relançamento do mais bem-sucedido de suas 10 produções: “Plays Metallica By Four Cellos”, lançado em 1996 e lançado no ano passado Remastered, adicionando músicas que a a princípio – não estavam na edição original, como “Battery”, “Nothing Else Matters” e “Seek & Destroy”.

Concertos previstos

O mundialmente conhecido Maceo Parker, um dos pais do funk e assiduoso colaborador de figuras como James Brown, George Clinton e Prince retornam ao Chile com a turnê ’50 Years of Funk’ e marcarão presença no Teatro Nescafé.

Esse músico excepcional que se apresentará no teatro é o saxofonista americano que incorpora o legado da alma e do funk como nenhum outro músico. Sempre na vanguarda, tem sido um fio comum na história do funk – ajudando a colocar o som do gênero em colaborações ao lado de ícones como James Brown, George Clinton e Prince e de deixar o seu próprio selo. Dirigindo a sua banda impecável com uma confiança única, Maceo transporta o público com performances que são positivamente intemporais.

Quem vai retornar ao palco do Teatro NESCAFÉ das Artes é um verdadeiro clássico chileno da empresa Great Circus Theatre, para comemorar o mês de Patrias com o prejuízo do décimo de Roberto Parra e a direção lembrada de Andrés Pérez Araya.

Sólstafir, a banda islandesa que é o lado mais progressista e vanguardista do metal, é outra atração imperdível. A banda estreia sua participação no Chile.